Um apeadeiro apertado, turnos à mesma hora e um setor que não pára. O que explica os surtos na Azambuja? – Observador

Todos os dias, milhares de pessoas descem dos comboios da CP no apeadeiro do Espadanal da Azambuja, 40 quilómetros a norte da cidade de Lisboa. A pequena estação, situada entre o Carregado e a Azambuja, serve um dos principais centros logísticos do país. Ali, num curto troço da estrada nacional 3, situam-se mais de 200 empresas e trabalham mais de 8 mil pessoas, incluindo grandes entrepostos de distribuição que asseguram o abastecimento de toda a região da Grande Lisboa — e que, por isso, durante o período do confinamento, nunca pararam de trabalhar. Pode ouvir aqui o Explicador Especial sobre este caso.

O que se passa na Azambuja?

Só no mês de maio, já se registaram naquele parque industrial dois grandes surtos de Covid-19, envolvendo perto de duas centenas de trabalhadores infetados com o novo coronavírus. A grande concentração dos trabalhadores nos comboios que servem a linha da Azambuja, aliada à coincidência dos turnos da maioria das empresas, faz com que o apertado apeadeiro se inunde de gente em três grandes picos diários — por volta das 8h, das 16h e da meia-noite.

Número de casos positivos na Sonae da Azambuja sobe para 76. Há outras duas empresas com Covid-19

Para tentar conter a propagação do vírus, as empresas que ali operam estão a alterar horários de trabalho, para que os turnos não coincidam, e a redobrar a oferta de transporte rodoviário aos trabalhadores. O primeiro surto, no início do mês, obrigou mesmo ao encerramento de uma empresa de produtos alimentares onde foram detetados 103 casos positivos. O segundo surto, ainda ativo, está a acontecer num centro de distribuição da Sonae.

Foi logo a 1 de maio, dois dias antes do arranque da primeira fase do desconfinamento, que o presidente da câmara da Azambuja, Luís de Sousa (do PS), confirmou que cerca de 30 funcionários da Avipronto, uma empresa de produção de carne de aves, estavam infetados com a Covid-19. A elevada percentagem de trabalhadores infetados obrigou ao encerramento da fábrica para que fossem testados todos os funcionários.

Na mesma semana, foram conhecidos os resultados desses testes: 101 trabalhadores estavam infetados com a Covid-19 e quatro tinham tido testes inconclusivos. Já nessa semana, surgiam outros dois casos numa outra empresa próxima, a Salvensen, uma empresa de distribuição de produtos alimentares. Elementos das autoridades de saúde deslocaram-se às instalações da Avipronto para verificar se estavam a ser cumpridos os protocolos de segurança que permitissem a reabertura da fábrica o quanto antes.

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