Oeiras. Uma “fraude”. Chovem críticas e reclamações à Capital do Natal em Algés – PÚBLICO

Prometia ser uma “recriação total da Lapónia”, com direito a Pai Natal, elfos e neve “a sério”, mas é a desilusão que marca o arranque da Capital do Natal, o primeiro Christmas Fun Park da Europa e o maior evento do país dedicado ao Natal, como anunciavam os seus promotores. O parque abriu na passada sexta-feira em Algés, concelho de Oeiras, às portas de Lisboa, e desde então têm chovido críticas ao recinto, às actividades ali promovidas e à própria decoração do espaço, com os visitantes a afirmarem sentir-se enganados e vítimas de “publicidade enganosa”. 

As críticas são feitas, sobretudo, por visitantes espanhóis que aproveitaram o fim-de-semana para visitar o recinto, que se estende por cerca de 72 mil metros quadrados. O que encontraram, dizem, não corresponde ao que era veiculado nas imagens promocionais que anunciavam o evento. 

“Gostaria de dizer que este parque é uma fraude, um engano, publicidade enganosa”, escreve uma visitante espanhola na página de Facebook da Capital do Natal, lembrando a “má organização, as filas intermináveis” e a falta de ambiente de Natal. “Fazem-se 300 quilómetros, paga-se uma entrada familiar de 88 euros, hotel e a comida no parque é caríssima, tendo em conta que não pensaram que poderia haver crianças celíacas. Num curto espaço de tempo, estavam sete espanhóis a escrever reclamações. Lamentável”, escreveu esta visitante.

Contactada pelo PÚBLICO, a Unión de Consumidores de Extremadura (UCE), uma associação de defesa dos consumidores, disse que durante a manhã desta segunda-feira recebeu “mais de 100 chamadas” com reclamações visitantes que moram sobretudo na região espanhola da Extremadura, mas também na Andaluzia. 

Fonte da associação disse ainda que já remeteu à empresa responsável pelo evento, a Christmas Fun Park, uma reclamação escrita por email, a exigir o reembolso dos bilhetes dos queixosos. A UCE entende que há “publicidade enganosa, porque na publicidade que a empresa fez do evento constam serviços e instalações que o parque não tem”. 

Foi entretanto criado um grupo de Facebook de presumíveis “afectados” — “Capital do Natal Estafa”, assim se chama — e foi criada uma petição, que reunia, por volta das 14h cerca de 1500 assinaturas. 

Ao PÚBLICO João Godinho, um dos promotores do evento, frisou apenas que este foi apenas o primeiro fim-de-semana de evento e que tem tido “uma adesão grande”, reconhecendo que há “questões” que precisam de ser introduzidas para melhorar a experiência do visitante. João Godinho confirmou que a empresa tem recebido “alguns  pedidos de reembolso, nomeadamente de espanhóis” e remeteu mais esclarecimentos para a sua assessoria de imprensa. 

Uma das imagens promocionais difundidas antes da inauguração do evento

De acordo com a agência de notícias espanhola EFE, a localidade de Villanueva del Fresno, um dos muitos municípios que tinha organizado excursões, suspendeu a viagem prevista para o próximo 21 de Dezembro.

“Depois de comprovar que o parque temático Capital do Natal, para o qual estava previsto uma excursão, não cumpre nem as mais mínimas expectativas, e depois de nos termos posto em contacto com várias pessoas que já visitaram este parque, vemo-nos obrigados a cancelar esta excursão”, informou através das redes sociais.

O evento decorre até 12 de Janeiro no Passeio Marítimo de Algés. O parque está aberto de segunda a quinta-feira, as 12h às 23h, à sexta e sábado das 10h à meia-noite e aos domingos das 10h às 23h. Os bilhetes, que aqui levam o nome de passaportes, custam 25 euros para crianças dos três aos 12 anos e seniores e 30 euros para adultos.

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