Cimeira do Clima. Guterres apela à limitação dos combustíveis fósseis – RTP

A iniciativa das Nações Unidas junta em Madrid representantes de 195 países e cerca de 25 mil pessoas, desde decisores políticos a ambientalistas que pretendem traçar novas metas para o Acordo de Paris.

O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, acompanhado pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, presidiram à sessão de abertura da cimeira que tem como lema: “É tempo de atuar”.

António Guterres afirmou, no discurso de abertura da Cimeira do Clima que “a única maneira de acabar com o aquecimento global é limitar os combustíveis fósseis”.

“Caso contrário, acabaremos com uma situação catastrófica. Os jovens pedem esforços aos líderes mundiais para combater e emergência climática”, acrescentou.

Para o secretário-geral das Nações Unidas, “as decisões importantes têm de ser tomadas agora. Os dados mais recentes do clima revelam que alcançámos limites impensáveis”.

“Os sinais não podem ser ignorados, os últimos cinco anos foram os mais quentes. Existem desastres climáticos extremos, furacões. Secas, inundações, incêndios. A Antártica está a derreter três vezes mais rápido do que há uma década”.

O secretário-geral da ONU recordou os dados divulgados recentemente pela Organização Meteorológica Mundial, que revelam que “os níveis de gases com efeito de estufa na atmosfera bateram um novo recorde”.

“Os níveis dos oceanos estão a subir mais rápido do que o esperado, o que coloca em risco algumas das nossas maiores e mais importantes cidades. Mais de dois terços das megacidades estão localizadas à beira-mar”.

António Guterres recorda ainda que os oceanos estão a subir e a “ser envenenados”.

“Os oceanos absorvem mais de um quarto de CO2 e geram mais de metade do nosso oxigénio. A absorção, cada vez maior, de dióxido de carbono acidifica os oceanos e ameaça toda a vida”.

“Os níveis médios globais de dióxido de carbono atingiram 407,8 partes por milhão em 2018. E lembro-me, que há pouco tempo, 400 partes por milhão eram vistas como um ponto de inflexibilidade impensável”, realçou.

Para Guterres o mundo tem, “até ao final da próxima década dois caminhos”.

“Um é da rendição, onde vamos passar ao ponto do não retorno, comprometendo a saúde e a segurança do planeta. Queremos ser lembrados como a geração que enterrou a cabeça na areia, que brincava enquanto o planeta ardia?”, questionou.

O outro caminho “é o da esperança. De resolução de soluções sustentáveis”.

Ou paramos com o vício do carvão ou todos os nossos esforços para combater as mudanças climáticas estão condenadas”, sublinhou.

Para o secretário-geral da ONU, é “necessário uma mudança rápida e profunda na maneira como fazemos negócios, como geramos energia, como construímos cidades, como nos movimentamos e como alimentamos o mundo”.

Se não mudarmos urgentemente o nosso modo de vida, comprometemos a própria vida”.

E “se queremos mudar, devemos ser essa mudança. Escolher o caminho da esperança não é tarefa de uma pessoa, indústria ou governo sozinho. Estamos todos juntos nisso”. Guterres considera que é claro o roteiro estabelecido pela comunidade científica, “para limitar o aumento da temperatura global aos 1,5º necessários até ao fim do século, precisamos de reduzir as emissões em 45 por cento em relação aos níveis de 2010 até 2030 e alcançar a neutralidade climática em 2050”.

Precisamos de reduzir as emissões em 7,6 por cento em cada ano para atingir as nossas metas. É imperativo que os Governos não honrem apenas as suas contribuições nacionais sob o Acordo de Paris, mas aumentem substancialmente as suas ambições”, destacou.

Segundo Guterres, “mesmo que os compromissos de Paris sejam totalmente cumpridos, não seria suficiente. Infelizmente muitos países fazem isso. E os resultados estão à vista”.

“Nas tendências atuais, estamos a olhar para o aquecimento global entre 3,4 a 3,9 graus Celsius até ao final do século. O impacto em toda a vida do planeta- incluindo a nossa – será catastrófico”, alertou.

No seu discurso na abertura da Cimeira do Clima, António Guterres frisou que “as tarefas são muitas, os nossos prazos são apertados e todas as questões são importantes”.

“É imperativo concluir o nosso trabalho e não temos tempo de sobra (…) As decisões que tomarmos aqui vão definir, em última análise, se escolhemos o caminho da esperança ou o caminho da rendição”, rematou.

O encontro decorre até dia 13 de dezembro na capital espanhola, que preparou a cimeira em três semanas.

A cimeira sobre o clima estava inicialmente prevista para se realizar no Chile, mas no final de outubro o Governo chileno decidiu cancelar o evento alegando não haver condições devido a um movimento de contestação interna e de agitação civil.

Hoje, o Presidente chileno, Sebastián Piñera, que não está presente na cimeira, enviou uma mensagem a justificar a sua ausência e onde agradece a Espanha o facto de receber o evento.

“Tivemos três situações: primeiro, uma onda de violência; depois, uma grande e legítima reclamação dos cidadãos por uma maior justiça social. Quero agradecer à solidariedade da Espanha por hospedar esta COP em casa. O compromisso do Chile com as mudanças climáticas é firme e claro. E é uma pena não poder estar presente. Mas meu dever é estar aqui”.

O Governo espanhol avançou com a proposta de organizar a grande conferência anual sobre Alterações Climáticas e conseguiu ter tudo pronto para a sua inauguração, em Madrid, apesar de a presidência da reunião continuar a pertencer ao Chile.

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